É tempo de renovação, dos textos, de tirar do "armário" o que não tinha meio, não tinha fim e apenas começos, começos que me pareceram não mais fazer sentido e agora despertei para resgata-los:
Roupas jogadas na beirada da cama, uma conversa que sai de duas bocas separadas pelo cansaço, corpos semi cobertos de roupas íntimas, alguma coisa terminou por ali.
Satisfação e vontade se misturam, cada um com seus pensamentos mais variados assistindo sem ver a programação entediante da tevê.
Entre beijos, pernas, braços... coloca-se os assuntos em dia, a conversa gira em torno de duas vidas que se encontram eventualmente, mas talvez não deveriam.
E porque não deveriam elas se encontram, porque não deveriam elas gostam de se encontrar o "não dever" torna o encontro ainda mais atraente, junto com a casualidade, que resulta no acúmulo de desejo saciado num só encontro.
Essas são vidas que passam meses, as vezes anos, sem se chocar, mas são cientes de que o outro está alí, ao alcance de uma ligação.
São cabeças diferentes, que de vez em quando convergem a uma vontade em comum, vontade já conhecida por ambos que se faz semelhante desde os primeiros encontros.
A amizade não teve espaço numa relação tão esporádica, restou então a superficialidade das conversas sobre assuntos banais, sem muito interesse, só para passar o tempo e mascarar a vontade de vestir-se e retomar a vida que ficou suspensa enquanto estavam juntos.
Essas vidas já foram mais próximas, uma já teve sentimento pela outra, mas a não correspondência tratou de transforma-lo em um simples desejo que "bate" e passa, com a naturalidade de uma brisa que refresca mas não por muito tempo.
Essas são vidas sem rostos, que se repetem através de vários corpos e várias outras relações, relações essas cada vez mais comuns em meio a casualidade e superficialidade exacerbada nos dias de hoje. Seja pela facilidade, pela falta de tempo, pelo desinteresse pelo que é profundo... elas são cada vez mais constantes.
Intensos ou não, constantes ou não, saciadores ou não, são encontros, que distraem o corpo enquanto o coração procura um lugar pra sossegar, um lugar que seja sempre confortante, que seja sempre amigo, que seja sempre disposto.
No fundo, no fundo é uma estabilidade que se procura, e é com ela que se sacia de verdade, mas é válida a procura, são válidos os momentos de saciedade dos corpos, dos desejos, dos ímpetos, afinal somos animais, temos instintos e é a partir deles que desenvolvemos afetos. A priori os primeiros desejo começam pelo físicos para daí o coração se dá conta do que vale a pena se apegar.
Jasmim Fernandes, 6 de outubro de 2013.